Exposição “Mapping – Exposição colectiva de fotógrafos de Macau”, patente ao público até ao dia 28 de junho, de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30.

Mapping é um conjunto fotográfico transversal e ecléctico que abarca diferentes estéticas e expressões artísticas. São obras de fotógrafos de gerações e culturas distintas, que funcionam como uma imagem plural do que Macau é de verdade: uma cidade de cultura, de encontro e diálogo e com uma densa paleta de sensibilidades.

Frank Lei é um dos pioneiros da nova estética fotográfica que emergiu em Macau no início dos anos 90. Embora as suas obras, aqui expostas, datem dos finais dessa década, apresentam um olhar que se mantém actual. Um paradoxo cheio de humanismo, de uma certa maneira de estar e sentir a cidade.

Carmo Correia e Lúcia Lemos apresentam duas visões distintas da cidade, com recurso a técnicas antagónicas. Na sua série Aedificia ad Jocare, dedicada aos grandes empreendimentos turísticos e de entretenimento da indústria do jogo, Lúcia utiliza o suporte "analógico" (a película) monocromático para captar de uma forma muito directa, quase "raw", essa nova face da cidade, enquanto Carmo usa o suporte e as novas ferramentas digitais para registar os sinais do passado e do presente, as cores e as texturas do Oriente e do Ocidente presentes em Macau, construindo combinações irreais mas muito poéticas, tal como a cidade lhe sugere.  

A série de trabalhos que Chan Hin Io produziu sobre espaços interiores tradicionais de Macau (templos, associações cívicas, etc.), são um exemplo raro de mestria no equilíbrio de forças estéticas e conceptuais: estas fotografias são simultaneamente documentos genuínos sobre a "alma" da cidade e poemas de grande valor estético e contemporaneidade.

As obras de João Ó reflectem a sua condição dupla de arquitecto e fotógrafo. A sua abordagem vai para além da simples plasticidade fotográfica. Há todo um trabalho de pesquisa e reflexão sobre o tecido urbano e arquitectónico que nesta série de trabalhos é evocado através dos seus espaços marginais, aparentemente "invisíveis" à nossa passagem quotidiana, mas que João Ó faz questão de retratar em impressões fotográficas de grandes dimensões, para que sejam bem visíveis no seu mapping da cidade.

Tang Kuok Hou, Lam Chung Kit e Wong Chon Kit são três jovens fotógrafos, "filhos" da revolução digital da última década, mas com posturas bastante distintas. Tang utiliza as novas ferramentas digitais de uma forma experimental, onde o espaço da cidade é manipulado para criar novas perspectivas, novos "mundos" de dimensões paralelas. Lam, por seu lado, procura captar e registar algo que intitula de "real", a cidade tal como ela é, como podemos observar na sua obra panorâmica Rua da Felicidade. Wong recorre às ferramentas digitais como complemento técnico do seu trabalho. A sua série The Opposite Side evoca a tradição dos fotógrafos paisagísticos, mas a harmonia de outrora é agora substituída por enquadramentos dramáticos, da cidade e da natureza que a limita.

Todas as obras presentes nesta mostra são um levantamento íntimo e pessoal que cada fotógrafo fez sobre a sua cidade, Macau. Embora não tenham sido produzidas especificamente para esta exposição, muitas destas fotografias nunca foram expostas antes em Portugal. Procurou-se assim, oferecer um conjunto de obras com características especiais e possibilitar a alguns destes artistas apresentarem os seus trabalhos a uma nova audiência. Esperamos que esta mostra abra caminho para um contacto mais regular por parte do público português com a vivacidade e a dinâmica do actual panorama artístico de Macau.